Não demorou muito tempo para eu aprender o básico da língua portuguesa e o Brito da língua de Tingamondê.
Eu pedi a ele para que fossem embora. Mas Brito afirmou que eles só iriam,partir quando acharem o que vieram buscar, o ouro.
-Mas o ouro tem um valor tão grande assim para vocês?- perguntei
-Você não imagina o quanto. Temos que levar ouro para nosso “pajé” é por isso que estamos aqui.
- Meu pai nunca aceitará.
-Mas que tal se fizéssemos uma troca?- Brito falou com um tom de vós estranho.
- Uma troca?
Ele me guiou pela floresta de Jacumbê até chegarmos na praia aonde estava o navio deles e uma tendas onde os homens estavam acampados.
- Podemos dar a vocês mercadorias que não existem na floresta.- Seus olhos brilhavam.
- Mas acontece que o ouro tem um valor sentimental para nós.E afinal de contas, como que faremos a troca sem ter que brigar?
Brito sabia que eu tinha razão.
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quarta-feira, agosto 11, 2010
quinta-feira, agosto 05, 2010
A Descoberta Capítulo 9
Da onde eu e o “cara pálida” estávamos as pessoas da aldeia não conseguiam ver a gente. Eu apontei para minha oca e disse:
-Minha oca.-parecia que estava ensinando uma criança a falar.
Ele olhava com os olhos brilhando e um leve sorriso no rosto.Eu iria aprender a língua deles e ele a minha. Bom, na verdade eu não tinha muita confiança nele. Mas, quem sabe ele vê que o que estam fazendo é errado e vão embora de uma vez.
Depois fomos a cachoeira. Eu apontava para mim e dizia Canirim.E ele repetia o gesto e falava Brito.
Estranho nome.
Alguns dias se passaram, ele voltava para a espécie de canoa grande dele e fingia que nesses dias que esteve fora estava observando a região e estudando as plantas. Eu fazia o mesmo. Falava para Tacira, que não havia encontrado nada no dia que saímos, que eu estava procurando se havia algo errado por volta da aldeia.
Eu e o Brito havíamos nos tornado amigos.
-Minha oca.-parecia que estava ensinando uma criança a falar.
Ele olhava com os olhos brilhando e um leve sorriso no rosto.Eu iria aprender a língua deles e ele a minha. Bom, na verdade eu não tinha muita confiança nele. Mas, quem sabe ele vê que o que estam fazendo é errado e vão embora de uma vez.
Depois fomos a cachoeira. Eu apontava para mim e dizia Canirim.E ele repetia o gesto e falava Brito.
Estranho nome.
Alguns dias se passaram, ele voltava para a espécie de canoa grande dele e fingia que nesses dias que esteve fora estava observando a região e estudando as plantas. Eu fazia o mesmo. Falava para Tacira, que não havia encontrado nada no dia que saímos, que eu estava procurando se havia algo errado por volta da aldeia.
Eu e o Brito havíamos nos tornado amigos.
domingo, agosto 01, 2010
A Descoberta Capitulo 8
Eram uns cinco homens que estavam ali. Eles não podiam me ver. Quatro se afastaram e deixaram um bem magrelo sozinho mexendo em uma planta e anotando no papel algumas palavras.
Me aproximei e disse:
-Com licença.
Ele deu um pulo para trás e gritou. Assustado ele tentou ir embora, mas eu segurei forte o braço dele.
- Só quero que saia das minhas terras!-eu tive que ser dura, se não ele não iria entender o recado.
Ele fez uma cara de que não entendeu nada e murmurou algo, que eu também não entendi.
-Quero que vá embora!-repeti com uma cara de quem não estava feliz.
Não tinha alternativa. Ele não me entendia e não iria entender se ninguém o ensinasse a nossa língua. Suspirei, peguei o braço dele e fui em direção a minha aldeia.
Me aproximei e disse:
-Com licença.
Ele deu um pulo para trás e gritou. Assustado ele tentou ir embora, mas eu segurei forte o braço dele.
- Só quero que saia das minhas terras!-eu tive que ser dura, se não ele não iria entender o recado.
Ele fez uma cara de que não entendeu nada e murmurou algo, que eu também não entendi.
-Quero que vá embora!-repeti com uma cara de quem não estava feliz.
Não tinha alternativa. Ele não me entendia e não iria entender se ninguém o ensinasse a nossa língua. Suspirei, peguei o braço dele e fui em direção a minha aldeia.
quinta-feira, julho 29, 2010
A Descoberta Capitulo 7
Já estava no fim da tarde quando chegamos à mata.O pôr do sol já encostava no horizonte da praia que não era muito longe da floresta.
Tacira estava logo atrás de mim com uma lança e um ‘Sopro Dormente”, que era uma arma soprada de longe para adormecer a vítima, era como se fosse um dardo com um veneno dentro.
Sinceramente eu queria conhecer algum “Cara Pálida” para pedir com educação primeiramente, para eles se retirarem da, como eles chamam, “Costa das Lágrimas”. Então disse para Tacira guiar a tropa para um lado que eu sabia que os invasores não estavam e eu iria pelo o outro caminho e prometi para ela que se visse algo estranho faria o chamado.E lá fui eu, sozinha falar com alguém que nem me entendia.
Tacira estava logo atrás de mim com uma lança e um ‘Sopro Dormente”, que era uma arma soprada de longe para adormecer a vítima, era como se fosse um dardo com um veneno dentro.
Sinceramente eu queria conhecer algum “Cara Pálida” para pedir com educação primeiramente, para eles se retirarem da, como eles chamam, “Costa das Lágrimas”. Então disse para Tacira guiar a tropa para um lado que eu sabia que os invasores não estavam e eu iria pelo o outro caminho e prometi para ela que se visse algo estranho faria o chamado.E lá fui eu, sozinha falar com alguém que nem me entendia.
domingo, julho 25, 2010
A Descoberta Capítulo 6
Tacira é uma das melhores guerreiras aqui, ela já foi várias vezes a chefe. E é a primeira pessoa que eu falo quando vou arrumar um grupo para uma caça.
Depois de pegar a lança e o arco e flecha vou para um canto da mata, do lado da cachoeira, e começo a fazer alguns ruídos:
- Cuuuí! Prrrrrrr!- e alguns segundos depois chega meu companheiro, Bariri. Ele é um bicho-preguiça muito fiel. Quase todas as pessoas têm algum bicho aqui na aldeia, que normalmente são macacos, araras e quatis. Já eu preferi uma preguiça, que ainda é filhote e sempre que eu vou fazer uma caça chamo ele com meus ruídos e o escondo dentro da cesta que levo nas costas.
Depois de pegar a lança e o arco e flecha vou para um canto da mata, do lado da cachoeira, e começo a fazer alguns ruídos:
- Cuuuí! Prrrrrrr!- e alguns segundos depois chega meu companheiro, Bariri. Ele é um bicho-preguiça muito fiel. Quase todas as pessoas têm algum bicho aqui na aldeia, que normalmente são macacos, araras e quatis. Já eu preferi uma preguiça, que ainda é filhote e sempre que eu vou fazer uma caça chamo ele com meus ruídos e o escondo dentro da cesta que levo nas costas.
quarta-feira, julho 21, 2010
A Descoberta Capítulo 5
Meu pai entrou gritando na minha oca:
-Canirim, reúna as melhores tropas. Fale com Tacira e vá para a floresta ver o que foi esse barulho horrível.
Pensei: “O que faço agora?” Ninguém podia saber que aqueles “Caras Pálidas” estavam fazendo horrores na floresta.
-Esse barulho deve ter sido alguma arvore que caiu...-falei, mesmo sabendo que era impossível.
-A única árvore que faria um estrondo desse seria uma Buriti, e infelizmente não temos destas aqui em Jacumbê.
-Tudo bem então.Vou reunir Tacira e os melhores guerreiros.-havia um tom de desanimo em minha voz.Não tinha alternativa, eu teria que levar alguns guerreiros para a mata e buscar algo que ninguém podia ver.
Eu sai da minha oca e ainda haviam crianças e mulheres olhando para o alto e assustadas.
Claro que eu não acho muito justo não contar para ninguém o que estava acontecendo, mas eu sei que os invasores brancos não vão ficar muito tempo aqui.Quer dizer, eu espero.
-Canirim, reúna as melhores tropas. Fale com Tacira e vá para a floresta ver o que foi esse barulho horrível.
Pensei: “O que faço agora?” Ninguém podia saber que aqueles “Caras Pálidas” estavam fazendo horrores na floresta.
-Esse barulho deve ter sido alguma arvore que caiu...-falei, mesmo sabendo que era impossível.
-A única árvore que faria um estrondo desse seria uma Buriti, e infelizmente não temos destas aqui em Jacumbê.
-Tudo bem então.Vou reunir Tacira e os melhores guerreiros.-havia um tom de desanimo em minha voz.Não tinha alternativa, eu teria que levar alguns guerreiros para a mata e buscar algo que ninguém podia ver.
Eu sai da minha oca e ainda haviam crianças e mulheres olhando para o alto e assustadas.
Claro que eu não acho muito justo não contar para ninguém o que estava acontecendo, mas eu sei que os invasores brancos não vão ficar muito tempo aqui.Quer dizer, eu espero.
sábado, julho 17, 2010
A Descoberta Capítulo 4
Estava na minha oca quando escutei um barulho horrível. Um estrondo espantou muitos pássaros que estavam em árvores da floresta. Com certeza eram os invasores. Eu não havia contado para ninguém. Pois como chefe dos guerreiros, o certo a fazer seria enfrentá-los, e como não fiz isso (e nem quero fazer) meu pai iria me tirar do meu “cargo” e me transformar em uma artesã. Eu respeito muito as artesãs de Jacumbê, mas acho uma chatice ter que ficar o dia inteiro amarrando palha.
Um dos motivos de eu não querer enfrentar os invasores é que eu sabia que o barulho que espantará todas as aves era uma das armas deles. Já as outras pessoas da aldeia que também escutaram não faziam a menor idéia do que havia sido.
Um dos motivos de eu não querer enfrentar os invasores é que eu sabia que o barulho que espantará todas as aves era uma das armas deles. Já as outras pessoas da aldeia que também escutaram não faziam a menor idéia do que havia sido.
domingo, julho 04, 2010
A Descoberta Capitulo 3
A Descoberta
Ainda não me apresentei. Meu nome é Canirim.Moro na aldeia Jacumbê com meu pai, Guaçu , o nosso Pajé e minha mãe, Jacira, que uma das melhores artesãs da aldeia.
Eu sou a chefe dos guerreiros de Jacumbê. Tenho muitas armas, de diferentes tipos, mas a que eu mais gosto de usar, e a que eu tenho mais habilidade é o arco é flecha. Nenhum alvo eu erro.
Também sou boa de manusear a lança. Quem fabrica as armas aqui é a Iara, ela também é artesã só que o que ela mais produz são as armas para as caças.
Ainda não me apresentei. Meu nome é Canirim.Moro na aldeia Jacumbê com meu pai, Guaçu , o nosso Pajé e minha mãe, Jacira, que uma das melhores artesãs da aldeia.
Eu sou a chefe dos guerreiros de Jacumbê. Tenho muitas armas, de diferentes tipos, mas a que eu mais gosto de usar, e a que eu tenho mais habilidade é o arco é flecha. Nenhum alvo eu erro.
Também sou boa de manusear a lança. Quem fabrica as armas aqui é a Iara, ela também é artesã só que o que ela mais produz são as armas para as caças.
terça-feira, junho 29, 2010
A Descoberta Capítulo II
Quando eles pisaram na areia, gritaram em uma língua estranha e tiveram coragem de colocar um bambu com uma folhinha, e eu acho que isso queria dizer que nossa floresta e nossa praia não eram mais nossas propriedades.
Eram cinco homens. Todos muito parecidos com cabelos pretos usando chapéus com penas bem grandes e barbas longas com tranças. Um deles, o que parecia ser um pajé do grupo,tirou da roupa* uma papel com varias palavras estranhas e começou a recitar:
“ Em ordem do rei Alexandrino I,eu declaro uma nova terra conquistada, Costa das Lágrimas!”
“Costa das Lágrimas”?Que nome é este? Parece até que nossa terra de felicidade é uma terra cheia de magoas e etc. Não concordei nada com o novo nome. Porque afinal, o nome original é Tingamondê.Nada a ver com “ Costa das Lágrimas”.
Eram cinco homens. Todos muito parecidos com cabelos pretos usando chapéus com penas bem grandes e barbas longas com tranças. Um deles, o que parecia ser um pajé do grupo,tirou da roupa* uma papel com varias palavras estranhas e começou a recitar:
“ Em ordem do rei Alexandrino I,eu declaro uma nova terra conquistada, Costa das Lágrimas!”
“Costa das Lágrimas”?Que nome é este? Parece até que nossa terra de felicidade é uma terra cheia de magoas e etc. Não concordei nada com o novo nome. Porque afinal, o nome original é Tingamondê.Nada a ver com “ Costa das Lágrimas”.
sábado, junho 26, 2010
A Descoberta. ( novela ) capítulo I
A Descoberta
Lá estavam eles. Eram mais brancos do que pensei. Usavam um material vermelho e roxo para cobrir o corpo. Algo que não temos aqui na floresta. Usando dois cilindros sobre os olhos e em cima de uma canoa muito grande, e bem diferente das que temos aqui na aldeia.
Achei que deveria sair correndo e avisar meu pai, pois afinal, era invasão em nossas terras, mas não fiz isso, porque sabia que ele imediatamente chamaria os guerreiros e começariam a brigar com aquela gente. E pelos materiais que possuíam, provavelmente eram bem mais poderosos.
Lá estavam eles. Eram mais brancos do que pensei. Usavam um material vermelho e roxo para cobrir o corpo. Algo que não temos aqui na floresta. Usando dois cilindros sobre os olhos e em cima de uma canoa muito grande, e bem diferente das que temos aqui na aldeia.
Achei que deveria sair correndo e avisar meu pai, pois afinal, era invasão em nossas terras, mas não fiz isso, porque sabia que ele imediatamente chamaria os guerreiros e começariam a brigar com aquela gente. E pelos materiais que possuíam, provavelmente eram bem mais poderosos.
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